Desbrava o pampa
o gauchê de sangue minuano,
em longas noites de teto estrelar,
sozinho ao meio de ninguém,
canta velhas cantigas
que paravam brigas,
cavalga ao luar,
passa pelos soldados
ibéricos,
com o sabre em punho
passa o fio
cortando três cabeças,
junto com Matias
de sangue negreiro,
e trocaram por cabeças
minuanas-negreiras
a música
a comida
e a cultura.
Somos todos
minuanos-negros
tupi-angolenses
guari-moçambiquenses.
Samba, blues, rock, jazz, vindos de negros.
Comida de mandioca, pinho, guaraná vindo de minuanos
Lendas, mitos, falas e rimas de sangue minuano-negro.
Guaraná de Blues
Mandioca de Samba
Rock de Pinho.
Sou brasileiro, índio-negro, português-espanhol, italiano-alemão, sou gauchê.
sábado, 13 de abril de 2013
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Ansiedade Ansiosa na Ânsia
Anseio furiosamente
Anseio calamitosamente
Anseio caoticamente
Anseio pela resposta
Anseio pela amostra
Anseio tudo
Anseio mudo
Anseio falando
Anseio queimando
Anseio
An seio
A n Seio
A n Seio
A nº seio
A no seio
A no sei
A no seio
A no sei
A nao sei
A não sei
A não sei
Ah não sei
e por não saber de nada
e por não saber sabedoria dos sábios
e por não saber de nada
e por não saber sabedoria dos sábios
Anseio pela verdade,
resposta,
mesmo sabendo da total irrealidade da resposta
de saber que
vivemos em irrealidades,
de saber das surrealidades, das erratidades,
das calamidades.
Anseio infinitamente.
Como aos montes, falo aos montes e machuco aos montes.
Anseio infinitamente.
Como aos montes, falo aos montes e machuco aos montes.
Aos montes montes que montam em
ansiedades.
Anseio pela ânsia.
Anseio pela ânsia.
Ânsia de saber, pois
pra mim tudo é rápido.
Anseio no seio do ins-des-a nseio.
Anseio no seio do ins-des-a nseio.
Rápido antes que a palavra fuja, esccrevo sem corfrigir.
Rapidamente
pos anseio muito muito mito
corre anseio
anseio AH ansiedade de
ansiar a ânsia .
De viajar entre mil sóis e ver tudo e todas e
saber tudo
e toda e cxonhecer falar tudo e todas ter uma vida
exponecnicada
a mil antres qaue a cvida acabe-se
ANSEIO
ANSEIO
ANSEIO
ANSEIO
AN SEIO ANSOANSIAS
SNEISA
ANEISO
ANSEISOAS
ASIESONASIO
segunda-feira, 25 de março de 2013
Bosque
Desespero
I
Com o medo em punhos,
é jogada à floresta
nos mês de junho
quando o outono só resta.
Para adentrar no inverno,
entre as serpentes traiçoeiras,
suas mordidas remetem ao inferno
e ela não acha a beira.
A escuridão consome,
o desespero aparece
e a visão some.
A faca de formigas escala.
Tropeça. Desesperada reza a tudo,
até para mandala.
II
Pandora, nossa heroína, levanta,
retira a faca das formigas,
coloca uma manta
para impedir os insetos de sua ins.
Ins-des-a-coragem
retirada do conforto,
parida dos lábios da miragem
a andar no caminho torto
Está, aparentemente, sozinha
arranja forca antes nunca percebida,
nota algo que não tinha.
Achar a saída
com artifícios de si
e não deixar-se caída.
III
Usar as armas do ego
que aparentemente "salvam"
e ela diz: eu me nego
mas ela sabe se não fizer, eles matam.
Deve percorrer por memória
para poder sobreviver
para findar sua própria história
e assim ver.
Enxergar na escuridão
com uma tocha reluzente
provinda da razão.
Para poder caminhar
nos ladrilhos escorregadios
esperando, uma saída, achar.
quinta-feira, 21 de março de 2013
Crescimento Flageal
O efêmero portal,
onde usa-se punhal.
Rituais de desvirginação
do nosso antigo refrão
provindos dá época inocente.
A dor rasga o hímen do conforto
e ao ficarmos sem porto
sobrevivemos e crescemos.
Sem flagelo não há elo.
Somente sendo só para valorizar o ó;
Pois só na perca que se aprende.
onde usa-se punhal.
Rituais de desvirginação
do nosso antigo refrão
provindos dá época inocente.
A dor rasga o hímen do conforto
e ao ficarmos sem porto
sobrevivemos e crescemos.
Sem flagelo não há elo.
Somente sendo só para valorizar o ó;
Pois só na perca que se aprende.
terça-feira, 12 de março de 2013
Cascata Nº 3
amor felicidade
está no momento
me nebulando
envolvendo perambulando
o mar
mundo me chama
quero preciso
conhecer
todos os
cantos
de nós
e da terra
e meus
e seus
vou seguir
com meu barco
pelas
cascatas
do
tempo-espaço
pra se passo
a sorrir
e criar.
Minhas cascatas
estão numa linha só
decidido estou
e por um
barco vou
com uma flor.
está no momento
me nebulando
envolvendo perambulando
o mar
mundo me chama
quero preciso
conhecer
todos os
cantos
de nós
e da terra
e meus
e seus
vou seguir
com meu barco
pelas
cascatas
do
tempo-espaço
pra se passo
a sorrir
e criar.
Minhas cascatas
estão numa linha só
decidido estou
e por um
barco vou
com uma flor.
domingo, 10 de março de 2013
Dessonho Nº 232
Nas ondas de lagos,
onde repousam os magos,
os sonhos se acumulam
e os urubus perambulam.
Sem olho vê o velho
com tédio sem remédio.
as mão tateiam
a praia.
Escorrega,
cai na água,
nega, tenta respirar,
mas afunda.
Asfixia-se no futuro,
perde-se em cima do muro,
passa a vida a sonhar
para depois ver-se
a murchar.
onde repousam os magos,
os sonhos se acumulam
e os urubus perambulam.
Sem olho vê o velho
com tédio sem remédio.
as mão tateiam
a praia.
Escorrega,
cai na água,
nega, tenta respirar,
mas afunda.
Asfixia-se no futuro,
perde-se em cima do muro,
passa a vida a sonhar
para depois ver-se
a murchar.
quarta-feira, 6 de março de 2013
Revolução Palavrial
Lâmpada sobre a mesa,
aumenta a reza
Caem os trovões,
Abrem os portões!
No papel escreve-se sangue
com palavras de alcance.
Proclama a palavra
escreve o poeta
quase chorava
reescreve o planeta
e todas suas letras.
aumenta a reza
Caem os trovões,
Abrem os portões!
No papel escreve-se sangue
com palavras de alcance.
Proclama a palavra
escreve o poeta
quase chorava
reescreve o planeta
e todas suas letras.
Espinha Clássica dum Pós-Modernista em Descanto
Levantai as bandeiras,
Proclamai as revoluções solares
que infestam todos e quaisquer ares,
Sabei das mudanças
nas mil danças,
pois morre-se
e a flor desabrocha-se.
Aproveitai o sopor efêmero
que ao se acabar cai em bueiro,
onde vossos ratos
se alimentam e
amamentam.
Negai
a maldade.
Saudai
a felicidade.
Admirai
a intensividade.
Amai - aqueles que vos amam,
sem medo, pois o tempo
corre.
Proclamai as revoluções solares
que infestam todos e quaisquer ares,
Sabei das mudanças
nas mil danças,
pois morre-se
e a flor desabrocha-se.
Aproveitai o sopor efêmero
que ao se acabar cai em bueiro,
onde vossos ratos
se alimentam e
amamentam.
Negai
a maldade.
Saudai
a felicidade.
Admirai
a intensividade.
Amai - aqueles que vos amam,
sem medo, pois o tempo
corre.
domingo, 3 de março de 2013
enlightenment by love
I had a kinfe across my chest,
I didn't let any light
In a dark room
by myself
I didn't know what to do
the rats of my
self unrespect
were eating me
my heart was consumed
I didn't let any light
In
any light, even the light of my own,
I wanted to die
I felt usseless
and unloved
lonely
dead.
Somewhere, somehow
the light burst into my room
a lady walked in
circled with an aurea
of gracefulness
retrived the knife from my chest
wept the blood
killed the rats
rose me up
huged me while
I was in tears
said the words
of enlightenment
after
a moment of pause
and a kiss of love
huged me while
I was in tears
said the words
of enlightenment
after
a moment of pause
and a kiss of love
The windows
the walls
the doors
the walls
the doors
all broke
and light infested
every corner
of me.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
Cascata Expressa Nº 2
raiva nega
leva casas
a tormenta aos pobres
traz tristeza
dor consome
conflito mata
você destrói
deveria o domingo
estar no chão ao enganar
aflito desconstituído
reflito penso
na mente na paz
na gente na vida
sábado, 23 de fevereiro de 2013
Cascata Expressiva Emocional Nº 1 em contraponto com o estilo do poema.
amor horror
flor por
dor odor
você doce
aqui ataque
saudade falsidade
falta mata
egoísmo metaísmo
solidão apreensão
compro corro
desgraça graça
na raça na praça
flor por
dor odor
você doce
aqui ataque
saudade falsidade
falta mata
egoísmo metaísmo
solidão apreensão
compro corro
desgraça graça
na raça na praça
sábado, 9 de fevereiro de 2013
Desromance Nº 5
Queria poder-te ter;
a longos braços abraçar-te
Mas sei que tu queres livre ser
Então devo deixar-te.
Sinto constantes vazios
que nascem por muitos rios
e a enchente vai vir.
Me carregue, pois
me dá vontade de morrer
e assim, eu sei, não dá para querer
pra que, amar alguém tão só?
Queria poder-te viver
a longas conversas interessar-te
Mas sei que tu queres viver
então acabo por amar-te.
Sinto constantes lacunas
que nascem por muitas colinas
e a enchente vai vir.
Me salve, pois
Me salve, pois
me dá vontade de cair
e assim, eu sei, não dá pra querer
pra que amar alguém tão só?
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
A Cadeira de Bom-Fim ©
Dois viajantes , por infortúnio, ou muito azar, estavam em Bom-Fim. A cidade "pacata" da serra, completamente isolada do resto do mundo, por assim dizer, vive sua própria mitologia, as histórias baseiam se em momentos fúteis do cotidiano, um apunhado de fofocas, mitos e medos.
Pedro e Marco localizavam-se no bar Dom Pedro, ao balcão bebendo cerveja enquanto trocavam piadas. Já era o terceiro dia que estavam na cidade, como sempre estava lotado o pequeno estabelecimento. Vários homens acima de 40 anos trocando piadas, frustrações, mágoas, saudades de esposas já defuntas. Mesmo com todo esse quadro emocional, que pairava como um grande monólito preto no meio da sala, a atenção de Marco fora atraída por um canto, havia uma mesa, uma cadeira, vazia. Haviam 2 homens de pé, próximos da cadeira, ousavam chegar perto, desviavam como se a mobília ira atacar-lhes. Era o segundo dia que Marco notara isto, mas dessa vez, tinha certeza, havia algo errado naquela cadeira. Pedro notou que a risada de seu amigo encurtara, ou seja, sua atenção à bobagem tinha diminuído, conhecia seu amigo muito bem, sabia quando algo lhe atenção. Pedro sem hesitar perguntou - " O que é que tu tá olhando? " Marco voltou os olhos para Pedro e respondeu - " Vê aquela cadeira no canto? Por que ninguém senta nela? "
Antes o quase mudo barman, alias o bar, mesmo tendo uma decoração antiga e bela era relativamente tosco, o impressionante era o preço do pastel de carne, um real, muitos duvidavam se o que era servido era carne, todavia ninguém podia reclamar da deliciosa gordura de seu pastel. Como ia dizendo, o barman, dono do bar, prontamente disse a eles - " Essa cadeira... Essa cadeira tem história. Meu tataravô comprou essa cadeira simples de madeira dum brechó no Rio de Janeiro, com o documento que esta cadeira estava em um dos barcos quando a corte portuguesa veio para cá. Desde lá a cadeira trazia má sorte, inúmeras pessoas sentaram nela e dias, ou semanas depois encontravam um terrível destino. É uma puta cadeira. O velho Adauto sentou nela... Morreu dias depois. Bom, mas a parte mais fudida é que meu tataravô matou sua mulher ali, e depois seu filho, matou ele, logo depois o irmão, meu avô, a cadeira é manchada pelo sangue da minha família. "
Pedro e Marco mudaram completamente o tom, o teor alcoólico no sangue parecia sumido. Marco então abriu a boca e disse - " Meu deus, que desgraça! Essa cadeira deveria ser queimada, colocada pra fora, dada à prisão pra matar os ladrões que sentarem lá. Por que, por que você não, não, não colocou ela fora, ou desfez-se dela?" Pedro logo falou baixinho - " Não seja grosso com o homem, para de ser idiota... " O barman com um sorriso no rosto - " As pessoas gostam de histórias. Isso traz atenção pro bar. Mas sabe, talvez sejam só coincidências... Deixem a cadeira E se não forem coincidências, é arriscado tocá-la. "
Os dois viajantes pagaram a conta, saíram do bar, deram adeus ao servente e foram ao hotel. Hotel Bom-Fim Nº 3, praticamente um portal do purgatório, o aroma de cigarra contamina todo e qualquer recinto do edifício. O mau-humor dos atendentes e camareiras é quase como o ódio do diabo. Os hóspedes deste hotel são extremamente bizarros, poucos viajantes e muitos sub-moradores de Bom-Fim. Em épocas passadas, o hotel era cheio, rico, feliz, transbordando desejos magnatas, depois de uma série de assassinatos dentro do hotel e a mudança de algumas empresas multi-destruidoras de sub-países, a cidade, o hotel, as pessoas, perderam o brilho. Todos de uma vez só.
Os dois discutiram a noite inteira sobre o que fazer com a maldita cadeira. Depois de muito medo, suspeitas, análises, decidiram comover algumas pessoas pra botar um fim à cadeira, queimá-la. Este seria o último dia deles na cidade, esperavam a chegada doutro amigo que tinha parentes numa cidade próxima, estavam numa viagem pelas curvas de serra. Noutro dia, foram de novo ao bar, como fizeram desde que chegaram, começaram um alvoroço, Marco ficou encima duma mesa e proclamou " Moradores de Bom-Fim eu proponho de destruir essa maldita cadeira!" todos no bar saudaram e estavam cansados da "cadeira" , levantaram seus garfos, copos, pastéis, em uníssono clamor " Queimem a cadeira!", o dono do bar, o barman, aclamava " Não precisa, mas se quiserem queimar faça rápido, tirem essa merda logo daqui então."
Um grupo de homens levou para calçada, encheu a de álcool que tinha na cozinha e atearam fogo. Todos comemoravam com medo. Os estouros da madeira assustavam todos, pulavam pra trás. Amarante viu a cena de longe. Notou duas faces diferentes do bar, alias eram sempre os mesmos que iam ao bar, sabia já quem causara isto. Aproximou-se lentamente da cena, sem querer chamar atenção, escorregou entre os quarentões e chegou as dois viajantes. Disse a eles " Vão embora daqui, vão se dar mal, essa cidade é insana. Fizeram muita confusão, meu nome é Amarante" Antes que pudessem responder ele já fugira e caminhou para outra direção, enquanto viam Amarante cruzar a esquina o barman com uma mala, dá um encontrão nele, Amarante caí, o barman olha, mas não ajuda e continua a correr.
Depois da cadeira estar queimada e todo voltarem pro bar, o estagiário estava no balcão, já avisando que o dono saiu de férias, sua mãe tinha ficado doente partiu rapidamente para Porto Alegre, onde ela estava no hospital, Pedro e Marco estavam sentados na laje da calçada olhando para as cinzas da cadeira, só sobrou o caixote do assento, Marco aproximou-se e pegou o caixote, e perguntou para Pedro - " Por que o barman queria fugir ? " Pedro responde " Acho que tem algo sobre o caixote" Eles abriram o caixote e havia uma caveira com um colar. Junto a isto Amarante entrega a eles uma carta. Estava escrito " Jogue fora a caveira da minha esposa e mate aqueles dois viajantes."
Conto Por Gabriel Zaffari e Ilustração de Rafael Mafuz
Pedro e Marco localizavam-se no bar Dom Pedro, ao balcão bebendo cerveja enquanto trocavam piadas. Já era o terceiro dia que estavam na cidade, como sempre estava lotado o pequeno estabelecimento. Vários homens acima de 40 anos trocando piadas, frustrações, mágoas, saudades de esposas já defuntas. Mesmo com todo esse quadro emocional, que pairava como um grande monólito preto no meio da sala, a atenção de Marco fora atraída por um canto, havia uma mesa, uma cadeira, vazia. Haviam 2 homens de pé, próximos da cadeira, ousavam chegar perto, desviavam como se a mobília ira atacar-lhes. Era o segundo dia que Marco notara isto, mas dessa vez, tinha certeza, havia algo errado naquela cadeira. Pedro notou que a risada de seu amigo encurtara, ou seja, sua atenção à bobagem tinha diminuído, conhecia seu amigo muito bem, sabia quando algo lhe atenção. Pedro sem hesitar perguntou - " O que é que tu tá olhando? " Marco voltou os olhos para Pedro e respondeu - " Vê aquela cadeira no canto? Por que ninguém senta nela? "
Antes o quase mudo barman, alias o bar, mesmo tendo uma decoração antiga e bela era relativamente tosco, o impressionante era o preço do pastel de carne, um real, muitos duvidavam se o que era servido era carne, todavia ninguém podia reclamar da deliciosa gordura de seu pastel. Como ia dizendo, o barman, dono do bar, prontamente disse a eles - " Essa cadeira... Essa cadeira tem história. Meu tataravô comprou essa cadeira simples de madeira dum brechó no Rio de Janeiro, com o documento que esta cadeira estava em um dos barcos quando a corte portuguesa veio para cá. Desde lá a cadeira trazia má sorte, inúmeras pessoas sentaram nela e dias, ou semanas depois encontravam um terrível destino. É uma puta cadeira. O velho Adauto sentou nela... Morreu dias depois. Bom, mas a parte mais fudida é que meu tataravô matou sua mulher ali, e depois seu filho, matou ele, logo depois o irmão, meu avô, a cadeira é manchada pelo sangue da minha família. "
Pedro e Marco mudaram completamente o tom, o teor alcoólico no sangue parecia sumido. Marco então abriu a boca e disse - " Meu deus, que desgraça! Essa cadeira deveria ser queimada, colocada pra fora, dada à prisão pra matar os ladrões que sentarem lá. Por que, por que você não, não, não colocou ela fora, ou desfez-se dela?" Pedro logo falou baixinho - " Não seja grosso com o homem, para de ser idiota... " O barman com um sorriso no rosto - " As pessoas gostam de histórias. Isso traz atenção pro bar. Mas sabe, talvez sejam só coincidências... Deixem a cadeira E se não forem coincidências, é arriscado tocá-la. "
Os dois viajantes pagaram a conta, saíram do bar, deram adeus ao servente e foram ao hotel. Hotel Bom-Fim Nº 3, praticamente um portal do purgatório, o aroma de cigarra contamina todo e qualquer recinto do edifício. O mau-humor dos atendentes e camareiras é quase como o ódio do diabo. Os hóspedes deste hotel são extremamente bizarros, poucos viajantes e muitos sub-moradores de Bom-Fim. Em épocas passadas, o hotel era cheio, rico, feliz, transbordando desejos magnatas, depois de uma série de assassinatos dentro do hotel e a mudança de algumas empresas multi-destruidoras de sub-países, a cidade, o hotel, as pessoas, perderam o brilho. Todos de uma vez só.
Os dois discutiram a noite inteira sobre o que fazer com a maldita cadeira. Depois de muito medo, suspeitas, análises, decidiram comover algumas pessoas pra botar um fim à cadeira, queimá-la. Este seria o último dia deles na cidade, esperavam a chegada doutro amigo que tinha parentes numa cidade próxima, estavam numa viagem pelas curvas de serra. Noutro dia, foram de novo ao bar, como fizeram desde que chegaram, começaram um alvoroço, Marco ficou encima duma mesa e proclamou " Moradores de Bom-Fim eu proponho de destruir essa maldita cadeira!" todos no bar saudaram e estavam cansados da "cadeira" , levantaram seus garfos, copos, pastéis, em uníssono clamor " Queimem a cadeira!", o dono do bar, o barman, aclamava " Não precisa, mas se quiserem queimar faça rápido, tirem essa merda logo daqui então."
Um grupo de homens levou para calçada, encheu a de álcool que tinha na cozinha e atearam fogo. Todos comemoravam com medo. Os estouros da madeira assustavam todos, pulavam pra trás. Amarante viu a cena de longe. Notou duas faces diferentes do bar, alias eram sempre os mesmos que iam ao bar, sabia já quem causara isto. Aproximou-se lentamente da cena, sem querer chamar atenção, escorregou entre os quarentões e chegou as dois viajantes. Disse a eles " Vão embora daqui, vão se dar mal, essa cidade é insana. Fizeram muita confusão, meu nome é Amarante" Antes que pudessem responder ele já fugira e caminhou para outra direção, enquanto viam Amarante cruzar a esquina o barman com uma mala, dá um encontrão nele, Amarante caí, o barman olha, mas não ajuda e continua a correr.
Depois da cadeira estar queimada e todo voltarem pro bar, o estagiário estava no balcão, já avisando que o dono saiu de férias, sua mãe tinha ficado doente partiu rapidamente para Porto Alegre, onde ela estava no hospital, Pedro e Marco estavam sentados na laje da calçada olhando para as cinzas da cadeira, só sobrou o caixote do assento, Marco aproximou-se e pegou o caixote, e perguntou para Pedro - " Por que o barman queria fugir ? " Pedro responde " Acho que tem algo sobre o caixote" Eles abriram o caixote e havia uma caveira com um colar. Junto a isto Amarante entrega a eles uma carta. Estava escrito " Jogue fora a caveira da minha esposa e mate aqueles dois viajantes."
Conto Por Gabriel Zaffari e Ilustração de Rafael Mafuz
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
O Contrato, O Vidente e A Piada ©
Amarante estava sentando na sacada de sua casa na pequena cidade de Bom-Final, localizada no meio da serra. Olhava o luar enquanto carregava em suas mãos suadas o contrato. Matar Adauto Rodelfino, "filósofo", ou assim se proclamava. Amarante ponderava em aceitar o pedido, pois Adauto era um homem fraco, pequeno, porém de grande intelecto e , talvez, de poderes de vidência, já previra a morte de 15 pessoas da cidade, pouquíssimos duvidam do seu poder, mas o prefeito, entre outros membros da alta sociedade e o clero duvidam. Depois de ponderar, seus pensamentos foram o mesmo descritos nas linhas anteriores, decidiu a aceitar o trabalho, dirigiu-se ao balcão ao lado da porta principal de sua casa, abriu um pequeno caixote, onde aparecia ter somente contas e cartas ali, puxou um pequeno laço entre as pilhas de papel, que foram derrubadas, e abrira o falso fundo do caixote, onde estava sua magnum, pegou sua pistola 45., carregou-a, pôs no cinto, sentou-se na sala.
O relógio, que agora parecia imóvel, marcava 1 da madrugada, era hora. Levantou, abriu a porta, fechou-a. Caminhou lentamente até a casa da frente. Colocou mão sobre a porta com os punhos cerrados, mas antes que pudesse bater na porta, um homem franzino, de cabelos brancos e uma barba por fazer lhe cumprimentava - " Boa Noite Amarante, sonhei que viria me visitar essa hora" disse Adauto Rodelfino. " Meu senhor, estava com insônia, por isso vim lhe visitar, seu chá sempre me faz dormir, sabe que é um ótimo vizinho e amigo. " respondeu Amarante. " Entre, entre, preciso discutir algumas coisas com você... São de cunho quase bíblico, talvez filosófico, ou loucura Ha! A idade tem afetado muito minha cabeça como você sabe..." Assim procedeu-se a conversa, com pequenas novidades e análises do dia sobre o tempo, ou sobre uma certa moça, ou sobre certo programa na televisão. Amarante suava.
Depois de meia-hora, na verdade era menos, mas se parecia meia-hora, Adauto terminara seu monólogo, notou então o nervosismo de Amarante. Perguntou à ele - " Algum problema? " Amarante suspirou, virou os olhos pra cima, depois para baixo e respondeu num tom quase mudo - " Sim. Adauto preciso lhe contar algo muito importante, eu sou contratado para assassinar. " - " Amarante... Meus sonhos tentaram me dizer parecido. " - " Seu poder de vidência é incrível Adauto. Você já deve ter pressuposto o por quê de eu ter vindo aqui. " - " Sim." - " Eu lhe peço perdão, mas é algo que tenho que fazer, meu trabalho, meu pão, meu ganho. " Sacou a arma do cinto e contemplou sobre a testa de Adauto. - " Rapaz, eu estou preparado, eu sempre soube que esse dia chegaria, não iriam perdoar as coisas que fiz.".
Amarante levantou a cadeira caída, limpou o tapete, suas botas de terra, foi em direção ao porão guardar a pá. Ao chegar, guarda a pá no seu devido lugar, um canto, mas desta vez percebe a escrivaninha escondida no canto do porão com uma luz ligada. Ele se direciona até a escrivaninha, vê uma pasta preta, abre. Encontra vários rascunhos dizendo " Mate Fransisco Drogo " ou " Mate Helena Passos" por final havia o rascunho " Mate Eu". Amarante riu.
por Gabriel Zaffari
por Gabriel Zaffari
sábado, 26 de janeiro de 2013
Cinemascópio Próprio ©
Você quebrou-se;
Vou montar seu novo espelho;
Com os cacos espalhados;
Estão jogados em corredores com mil retratos;
Quando montado.
Você se verá em cinemascópio;
Mono ©
Mono - Cromático
Mono - Tonal
Mono - Motor
Mono - Marcha
Mono - Vida
Mono - Amor
Mono - Dor
Mono - Caminhada
Mono - Pintura
Mono - Escritura
Mono - Logo
Mono - Tono
Mono: Só.
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