O relógio, que agora parecia imóvel, marcava 1 da madrugada, era hora. Levantou, abriu a porta, fechou-a. Caminhou lentamente até a casa da frente. Colocou mão sobre a porta com os punhos cerrados, mas antes que pudesse bater na porta, um homem franzino, de cabelos brancos e uma barba por fazer lhe cumprimentava - " Boa Noite Amarante, sonhei que viria me visitar essa hora" disse Adauto Rodelfino. " Meu senhor, estava com insônia, por isso vim lhe visitar, seu chá sempre me faz dormir, sabe que é um ótimo vizinho e amigo. " respondeu Amarante. " Entre, entre, preciso discutir algumas coisas com você... São de cunho quase bíblico, talvez filosófico, ou loucura Ha! A idade tem afetado muito minha cabeça como você sabe..." Assim procedeu-se a conversa, com pequenas novidades e análises do dia sobre o tempo, ou sobre uma certa moça, ou sobre certo programa na televisão. Amarante suava.
Depois de meia-hora, na verdade era menos, mas se parecia meia-hora, Adauto terminara seu monólogo, notou então o nervosismo de Amarante. Perguntou à ele - " Algum problema? " Amarante suspirou, virou os olhos pra cima, depois para baixo e respondeu num tom quase mudo - " Sim. Adauto preciso lhe contar algo muito importante, eu sou contratado para assassinar. " - " Amarante... Meus sonhos tentaram me dizer parecido. " - " Seu poder de vidência é incrível Adauto. Você já deve ter pressuposto o por quê de eu ter vindo aqui. " - " Sim." - " Eu lhe peço perdão, mas é algo que tenho que fazer, meu trabalho, meu pão, meu ganho. " Sacou a arma do cinto e contemplou sobre a testa de Adauto. - " Rapaz, eu estou preparado, eu sempre soube que esse dia chegaria, não iriam perdoar as coisas que fiz.".
Amarante levantou a cadeira caída, limpou o tapete, suas botas de terra, foi em direção ao porão guardar a pá. Ao chegar, guarda a pá no seu devido lugar, um canto, mas desta vez percebe a escrivaninha escondida no canto do porão com uma luz ligada. Ele se direciona até a escrivaninha, vê uma pasta preta, abre. Encontra vários rascunhos dizendo " Mate Fransisco Drogo " ou " Mate Helena Passos" por final havia o rascunho " Mate Eu". Amarante riu.
por Gabriel Zaffari
por Gabriel Zaffari
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