Numa quarta-feira de abril, Alberto Roberto acordou sabendo
que iria morrer, que naquele dia em algum instante ele perdia suas capacidades
vitais e estaria num necrotério, ou hospital. Provavelmente seria, também, sua
última relação de serviço contratual, já que o defunto, de certa, através dos
anos pagou com seus impostos para algum médico legista para atender no serviço
após a morte. Roberto soube da sua morte naquele dia, não foi ameaçado, nem
tinha doença crônica, mesmo sendo fumante e consumidor de informações inúteis,
algo veio à mente dele e lhe disse: “Roberto, hoje, morrerás”. E assim Roberto morrerá logo.
Roberto desesperado pensou nas maneiras de evitar sua morte, mas antes de poder prosseguir com seus planos, decidiu ligar para o trabalho e avisar que não podia ir, pois estava doente. É claro Roberto, muito exemplar mentir, invés de dizer-lhes a verdade, tanto que a verdade poderia deixá-lo mais próximo da morte, poderiam chamá-lo de louco, se chamassem o sanatório e no sanatório poderia ter alguém realmente louco que poderia matá-lo.
Roberto pensou. Roberto pela primeira vez na vida pensou. Pensou e pensou. Pensou para si mesmo: O que eu faço? Será que eu fico em casa? Ou será que eu saio de casa? Na rua posso ser atropelado, posso levar um tiro, um bueiro pode explodir na minha cara, posso tropeçar no meio-fio e quebrar a cabeça, são tantas coisas! Aqui em casa podem invadir, mas acho que só isso. Ah droga! Tem o chuveiro elétrico que tava saindo faísca desde semana passada e... aquela comida estragada que eu comi ontem? Será que vai me fazer algum mal? A rede elétrica isso!
Roberto desesperado pensou nas maneiras de evitar sua morte, mas antes de poder prosseguir com seus planos, decidiu ligar para o trabalho e avisar que não podia ir, pois estava doente. É claro Roberto, muito exemplar mentir, invés de dizer-lhes a verdade, tanto que a verdade poderia deixá-lo mais próximo da morte, poderiam chamá-lo de louco, se chamassem o sanatório e no sanatório poderia ter alguém realmente louco que poderia matá-lo.
Roberto pensou. Roberto pela primeira vez na vida pensou. Pensou e pensou. Pensou para si mesmo: O que eu faço? Será que eu fico em casa? Ou será que eu saio de casa? Na rua posso ser atropelado, posso levar um tiro, um bueiro pode explodir na minha cara, posso tropeçar no meio-fio e quebrar a cabeça, são tantas coisas! Aqui em casa podem invadir, mas acho que só isso. Ah droga! Tem o chuveiro elétrico que tava saindo faísca desde semana passada e... aquela comida estragada que eu comi ontem? Será que vai me fazer algum mal? A rede elétrica isso!
Roberto retirou a rede elétrica de casa, restou a ele, a
mobília, o chão, as panelas e o ecossistema de insetos, bactérias, pequenos
mamíferos que vivem na casa delem.
Roberto, então se lembrou da infância do que lhe fazia
seguro, fez, portanto, um forte com almofadas do seu sofá que conseguiu da
ex-mulher, alias eu cheguei a comentar que Roberto tem quarenta anos? Não? Bom,
agora vocês sabem. Roberto emplumou-se
no seu forte apache do sofá, preparando-se contra tudo e todos, carregando uma
faca.
Como eu vou dizer pra alguém isso? Eu estou sozinho... Pensou para si mesmo. Os vizinhos não vão querer se incomodar, meus
parentes moram em Jacaringuetá, o governo vai achar um desperdício de verba.
Não me resta nada.
A morte tão esmagadoramente simples e misteriosa. Roberto
está só esperando o tempo passar, os minutos correm, o suor desce de seus
braços peludos e flácidos. Passa-se a hora do almoço, Roberto não come.
Passa-se à tarde, Roberto nem se importa com o por do sol. A noite chega e ainda não morreu. Os minutos
para ele parecem dias colossais. Para nós já passaram e para barata que ele
pisou séculos. Roberto está assustado, na posição fetal, ele sente a frieza da
noite, o toque macabro. Chegam às onze
horas, Roberto, Roberto, pensa, quero trabalhar, quero trabalhar, quero viver,
quero transar, quero tudo, quero comer, mas tenho medo, muito medo de sair.
Muito medo.
Muito.
Roberto vê uma silhueta. Seu coração pulsa mais rápido e
seus pelos se arrepiam. A silhueta se revela na forma de um morcego, Roberto,
pensa que aquilo vai o matar, vai lhe morder, passar raiva e consequentemente
vai morrer.
Raiva, raiva sobe a Roberto, porque não enchi de porrada
aquele cara na guethe uma vez? Que roubou meu lugar no ônibus. Por quê? Ou
quando a cabeça de sopa de osso do Claúdio foi lá e estragou minha planilha do
Excel. Por que eu não peguei minha mão e trucidei a cabeça dele?
Roberto ficou lá,
choramingando no sofá, apavorado com tudo e todos. Pensava consigo mesmo: o que
resta nessa casa que pode me matar? Um inseto venenoso? Não havia dedetizado o
local. Um assaltante ou um assassino? Impossível, sua porta estava trancada e o
alarme ligado. O que, o que ainda poderia mata-lo? Então viu a faca em sua mão,
afiada e mortífera faca, e chegou a resposta: apenas ele poderia mata-lo. Para
estar seguro da morte teria de matar a si mesmo, pois somente sua própria covardia e inércia paralítica que poderiam matá-lo.
Enfiou a faca no abdômen e deixou o sangue jorrar, e assim ele morreu. *
* Final adaptado dum amigo meu, conto original era pra inscrever vários finais diferentes; Esse foi o melhor. É de Manuel Flores o Final.
* Final adaptado dum amigo meu, conto original era pra inscrever vários finais diferentes; Esse foi o melhor. É de Manuel Flores o Final.
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